A Alegria Do Primeiro Amor

"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as
primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e
removerei do seu lugar o teu candeeiro" (Apocalipse 2:4, 5).


Um religioso declarou: "Nos primeiros cinco anos de meu
ministério, eu mantive um quadro em minha escrivaninha que
dizia: 'Ganhe o Mundo para Cristo'. Nos cinco anos seguintes
de meu ministério, eu troquei o quadro para: 'Ganhe Um ou
Dois para Cristo'. Depois dos primeiros dez anos, o quadro
em minha escrivaninha, até hoje, diz: 'Tente não perder
Muitos."


O que tem sido feito de nossa motivação na obra de Deus?
Para onde seguiu a alegria do primeiro amor? Aquele ímpeto
inicial, aquela determinação, a prioridade do "buscar em
primeiro lugar o reino de Deus", por que não têm a mesma
força de antes?


Quando Cristo toma o lugar principal em nosso coração, a
nossa alma se enche de regozijo e não há nada mais agradável
para nós do que estar diante dEle, louvar o Seu nome, ler a
Sua Palavra, compartilhar a Sua salvação. E essa felicidade
que deveria ser eterna, muitas vezes vai se esfriando,
apagando, desaparecendo, até ser totalmente esquecida.
Quando nos damos conta, estamos novamente tristes,
desanimados, angustiados, sem o brilho característico dos
vitoriosos.


Diga agora mesmo: basta! Basta de enganos, de infortúnios,
de mentiras, de vida sem sentido. Volte a hastear a bandeira
da felicidade e da vida abundante e verdadeira. Segure as
mãos do Senhor e não as largue por motivo algum deste mundo.


Se você se mantiver firme ao lado de Cristo, seu candeeiro
espiritual iluminará cada vez mais a Sua vida, a sua casa e
os lugares por onde passar. Seu primeiro amor será um quadro
que jamais será tirado da escrivaninha de seu coração.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A MÃE DO SALVADOR



"Junto à cruz de Jesus estava a sua mãe, a irmã dela, e
 Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus ali a
 sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente,
 disse a sua mãe: Mulher, eis o teu filho. Depois disse ao
 discípulo: Eis a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo
 a recebeu em sua casa". João 19:25-27.
 
Enquanto Maria olha para a cruz, tolda-se a terra de um
 nevoeiro, como se tivesse sido atingida bem em seu âmago por
 uma espada. Enquanto observa, Maria percebe a semelhança
 entre o que ela sente com o que foi profetizado por Simeão,
 por ocasião do nascimento de Jesus: "Esta criança é posta
 para queda e elevação de muitos em Israel, para ser alvo de
 contradição, e para que se manifestem os pensamentos de
 muitos corações. E uma espada trespassará também a sua
 alma".
 
Focalizando novamente a cruz, tudo fica nítido para ela:
-Então, esta é a espada.
 É algo que toda a mãe teme: perder um filho. Este medo a
 perseguiu sempre, desde as palavras premonitórias de Simeão.
 
Houve o terror por ocasião de Herodes, com a conspiração de
assassinato das criancinhas. E ainda a profecia de Isaías
sobre o Servo Sofredor sempre a perturbou. É como se a Morte
 tivesse pousado sobre o berço de Jesus, desde o seu nascimento, lançando ali uma sombra escura como uma
 constante advertência de que um dia o menino lhe
 pertenceria.
 Bem no seu íntimo, Maria sabia que Jesus era uma criança
 nascida para morrer. Não cresceria para ser um médico, ou um
 rabi, ou um doutor da lei. Não se casaria, nem lhe daria
 netos que levassem adiante o nome de família. Sabia disto há
 muito tempo, mas havia enterrado esse sentimento em seu
 coração.
 
Nas poças de lágrimas nadam algumas recordações. O
 nascimento dele naquele frio e escuro estábulo em Belém.
 
Como ele tremia, quando pegou-o pela primeira vez em seus
 braços, tão pequenino e indefeso. Aquecera-o em seu seio e
 cantara para que dormisse. Lembrava-se também de como,
 quando beijara sua testa, ele a olhara tão calmo, tão sem
 cuidados.
 
Novamente focaliza a cruz e vê homens encurvados, repartindo
 as roupas dele, e lançando sortes sobre elas. Ergue os olhos
 para seu filho e sofre. Ele está nu, e não há ninguém para
 aquecê-lo. Tem sede, e não há ninguém para molhar os seus
lábios. Está cansado e não há ninguém para cantar-lhe uma
 canção para que adormeça. Sua testa está franzida em agonia,
 e não há ninguém para enxugar-lhe os ferimentos.
 -Por que meu bebê mereceria isto?
 Novamente seus olhos se turvam. Mais uma lembrança vem à
 tona. E mais outra. Lembra-se de quando disse a primeira
 palavra. Lembra-se dos seus primeiros passos. Recorda-se de
 como ele gostava de ajudá-la a assar o pão, e ela então
 costumava molhar um pedaço do pão fresco no mel e dava-lhe
 para comer. Isto deixava-o contente e fazia com que seus
 olhos brilhassem.
 -Por que meu bebê mereceria isto?
 Recorda-se dele com doze anos, quando já estava a serviço do
 Pai em Jerusalém. Lembra-se claramente de ter pensado na
 ocasião: Ele não é mais o meu bebê. Está ali na cruz agora
 por possuir também amor materno. Está ali porque tem o amor
de um Salvador. Mas, o amor não se parece com o que vê.
Gotas de sangue que escorrem pelo madeiro, molhando a
 sujeira que está embaixo. Cravos pesados nos pés de Jesus.
 Costelas marcando a pele magra. Moscas pousando nas feridas
 abertas. Olhos inchados pela febre. Cabelos emaranhados na
 coroa de espinhos colocada pela manhã. Mãos erguidas a Deus
 presas no madeiro. Um dorso encurvado, pendente pelos punhos
 empalados, como um grotesco pingente. Isto é o que a mãe de
 Jesus vê, enquanto desembainha seu coração para o golpe
cruel da espada romana. É mais do que uma mãe pode suportar.
 Mas de alguma forma ela resiste. Principalmente por causa do
 homem que está a seu lado, amparando-a.
 João, o discípulo amado de Jesus. De braços dados, as duas
 pessoas a quem Jesus mais ama neste mundo. Nunca foram tão
 próximos, como neste momento. Ouvem Jesus murmurar enquanto
 ergue a cabeça. Esboça o seu adeus com a língua ferida e os
 lábios rachados. João leva Maria para mais perto, para
 poupar a Jesus o esforço, pois o seu filho tem muito que
 dizer a ela: Obrigado por tudo. . . devo-lhe tanto. . . você
 foi a mãe mais querida que alguém poderia ter. Mas os
 espasmos no peito estão cada vez mais frequentes; e aquelas
 palavras não foram pronunciadas. Jesus apóia-se nos cravos e
 com esforço enche os pulmões. A dor é extrema. As palavras
 saem com um grande esforço. "Mulher, eis o teu filho." Maria
 olha para João, aperta os seus braços enquanto tem os olhos
 marejados de lágrimas. Os lábios esboçam um sorriso
 trêmulo". "João, eis a tua mãe".
 O discípulo acena enquanto morde os lábios controlando a
 emoção. Foi tudo quanto foi dito. Por um momento íntimo,
 contemplam aquele a quem tanto amam. Então Jesus pende
 novamente.
 De repente, Maria percebe, ele está a serviÇo do Pai. Ora
 àquele Pai, para que a morte venha logo para o seu filho,
 isto é, para o filho deles. Pois ambos perderam um filho
 hoje. Ambos têm uma espada cravada no peito. E assim, apesar
 da sua dor, apesar do aço frio que lhe trespassa a alma, ela
 resiste ao pé da cruz. Não suporta olhar. Mas não suportaria
 afastar-se dali também. Está ali. Pelo seu filho. Como
 qualquer mãe o faria.
 Ela estava lá quando ele veio ao mundo. Haveria de estar
 quando ele se fosse. Estava lá quando ele foi empurrado por
 um canal escuro e estreito até seus braços, quando nasceu.
 Estaria presente agora quando ele estava sendo empurrado
 através de outra passagem dolorosa que o devolvia para os
 braços do Pai.
 Oração: Tu, cujo corpo pendia daqueles cravos em tuas mãos,
 e que carregavas sobre ti o peso do pecado do mundo, e ainda
 assim preocupavas-te mais com as dores dos outros do que com
 as tuas. Tu, que fizeste um comentário constrangedor sobre o
 único dos mandamentos que contém uma promessa, embora
 soubesses que para ti aquela promessa te seria negada. Tu,
 que de tudo foste destituído, e no entanto ainda achaste
 tanto para dar: aos seus executores, o perdão: ao ladrão, o
 paraíso; à sua mãe, um filho. Concede-me a graça, Ó Senhor,
 de jamais esquecer a maneira como tu te alçaste acima do teu
 desamparo a fim de te assegurares de que tua mãe não seria
 desamparada. Grande exemplo de amor altruísta. Filho
 exemplar. Conserva-me sempre junto à cruz, pois ela é a
 fonte de onde provém o amor mais puro. Lá sou purificado,
 não somente dos meus pecados, mas da minha pequenez. É nela
 que estou mais perto de ti. É nela que estou mais próximo
 daqueles que te amam. Leva-me lá todos os dias, Senhor. É
 onde está o amor. E é onde eu preciso ficar. .
 

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